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Ensino Superior no Brasil e no Mundo

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Quais as metodologias aplicáveis ao Ensino Superior na Pandemia?

                     Existe em curso uma discussão instigante sobre as metodologias que devem ser utilizadas para um efetivo processo ensino-aprendizagem no Ensino Superior devido à pandemia do COVID-19, buscando evitar-se particularmente a evasão escolar. Neste contexto, o mundo acadêmio viu então emergir um incontável número de soluções para resolver a questão do distanciamento social, então imposto pelos protocolos de saúde elaborados pelas autoridades públicas.



                    Há naturalmente de se reconhecer a grande contribuição que especialistas estão ofertando à sociedade em um momento tão difícil e, até certo ponto, aterrorizante. Tudo que desconhecemos, certamente tememos (e muito). Todavia, em meio a esse novo modus operandi, gostaria que me permitisse compartilhar uma preocupação que sempre acompanhou-me em meus muitos anos de docência: a infantilização metodológica do Ensino Superior. Meu objetivo neste texto não é julgar metodologias, mas apenas alertar para a necessidade de uma criteriosa análise antes da adoção de uma solução. 

                Nesse sentido, tomemos como base a definição de Ensino Superior da Wikipédia, que para o efeito pretendido é suficiente e de ponto pacífico: "O ensino superior, educação superior ou ensino terciário é o nível mais elevado dos sistemas educativos, referindo-se normalmente a uma educação realizada em universidades, faculdades, institutos politécnicos, escolas superiores ou outras instituições que conferem graus acadêmicos ou diplomas profissionais."

            Creio ser bem razoável supor então que as fases anteriores (Ensino Fundamental e Ensino Médio) foram devidamente cumpridas e que os egressos gozam perfeitamente das capacidades e habilidades lá ensinadas. A expectativa decorrente é que no Ensino Superior os discentes sejam então mais capazes de desenvolver novos cohecimentos de forma independente, autônoma e responsável, observando especialmente os seguintes três domínios cognitivos: Analisar, Avaliar e Criar

            A discordância do anterior simplesmente nos levaria a uma discussão interminável sobre direitos e deveres do cidadão, bem como do papel do Estado em todo esse processo. Furtarei-me propositalmente de enveredar por esse caminho, atendo-me apenas à reprodução  de três pequenos trechos de artigos publicados sobre essa infantilização, já observada bem antes da pandemia e que pode vir a ser agravada, caso não seja devidamente lembrada.

Trecho 1:

"Nas universidades ou politécnicos, a responsabilidade de motivar não deve caber ao professor. A tese é defendida por Carlos Fiolhais, físico, docente e divulgador de ciência. Afirma que, por oposição ao ensino básico ou secundário, onde “os alunos têm que ser dirigidos”, a frequência no ensino superior significa autonomia." (Camilo Soldado, 25 de outubro de 2015).

Trecho 2:

"Espero que na Universidade pública não cheguemos ao ponto de propor uma reunião de pais. Pelo andar da carruagem, no entanto, já não seria de se espantar. Como antídoto, poderíamos levar estudantes e nós mesmos um pouco mais a sério, tratando-os e tratando-nos como adultos, não apenas aptos a reproduzir uma opinião sobre algo (ou sobre “tudo”), mas formados para enfrentar o conhecimento e as problemáticas sociais com disciplina, esforço analítico e capacidade reflexiva. Não é tão complicado, basta que a Universidade aposte naquilo que é seu papel, que não é o de vender entretenimento, nem de agradar a clientes. Para isso é preciso renunciar à sedução gozosa da infantilização. Mas é que talvez isso não seja tão fácil. (Alexandre Fernadez Vaz, 27 de março de 2015)".    

Trecho 3:                

"O Jornal Folha de São Paulo do último domingo, dia 22 de março, torna alarmante o que nós, professores universitários, já sabíamos e temíamos. Cresce o número de alunos cada vez menos autônomos nas universidades públicas e privadas. Não bastassem controlarem os boletins e notas dos filhos pelos sites de internet disponibilizados nos portais das faculdades, os pais agora querem reuniões frequentes com os professores e diretores, ademais de darem palpites nos programas acadêmicos e acompanharem os filhos nos processos de adaptação ao novo ambiente universitário.  (Maristela Basso, 24 de março de 2015)." 


        Se for possível, peço que você leia os artigos acima na íntegra para formar sua opinião, e termino este texto deixando-o com os seus pensamentos. Ressalto que não tenho a intenção de convencimento, mas apenas contribuir sobre um tema que julgo ser tão importante: como melhor escolher/aprimorar as metodologiass aplicáveis no Ensino Superior agora (durante a pandemia) e, naturalmente, no período pós-pandemia.


Um grande abraço e fiquem com Deus.

Carlo Kleber da Silva Rodrigues (carlokleber@gmail.com)


                

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Ensino Superior: Onde estamos e aonde vamos?

           Gostaria de compartilhar com vocês três subtemas que imagino que devem analisados, dentre tantos outros, quando falamos sobre o futuro do Ensino Superior em nosso país. Faço a exposição com base em fragmentos de reportagens ou artigos a que tive acesso, cujos conteúdos originais em sua inteireza estão nos hiperlinks disponibilizados. Evidencio que não tenciono propor diretrizes formais, tampouco soluções, apenas busco oportunizar-lhes alguma reflexão.




  1. Metodolodias ativas:  aprendizado baseado em Problemas (PBL) é uma metodologia ativa de ensino onde os alunos ganham conhecimento e habilidades enquanto resolvem problemasPBL integra saber e fazer. A metodologia prima pelo desenvolvimento de habilidades críticas de pensamento e resolução de problemasEnfatiza-se o aprendizado autodirigido. Ou seja, centrado no aluno, que passa a ser o principal gerador de conhecimento ao procurar ativamente a informação que necessita para resolver um determinado problema. O objetivo é que o aluno resolva tudo autonomamente. A função do professor neste sistema passa a ser, fundamentalmente, a de um orientador do trabalho dos alunos. Neste contexto, é importante destacar que o aluno é obrigatoriamante visto como alguém que compreende perfeitamente sua responsabilidade, não cabendo mais posturas que supõem que o professor deve fiscalizar suas ações para garantir que este (o aluno) esteja de fato cumprindo o seu papel. Além disso, reforça-se a ideia da aprendizagem continuada, ou seja, aprender por toda a vida, e de cursos de menor duração que o tradiconal modelo empregado em grande parte das Instituições de Ensino Superior (IESs) do País. 
  2. Competências e não apenas títulos: colecionar apenas títulos e mais títulos não deve ser uma conduta estimulada. Mesmo os mais bem qualificados profissionais têm dificuldades para encontrar um emprego no País. Por isso, não é exagero afirmar que o Brasil está formando mestres e doutores para o desemprego. A frase é de Silvio Meira, professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito do Rio da FGV. Os números demonstram isso friamente: enquanto no mundo a taxa de desocupação desse grupo gira em torno de 2%, por aqui, a média é de 25%. Os mestres estão em situação ainda pior: 35% fora do mercado de trabalho. Simplesmente ser detentor de um título não é o suficiente para a empregabilidade desejada. Nesse sentido, apesar de ser uma realidade por vezes cruel, deve-se verificar o que de fato a sociedade precisa naquele momento de sua evolução, ou seja, ter-se a devida consciência situacional.                                              
  3. Impacto do Ensino Básico no Ensino Superior: o anuário brasileiro da educação básica, divulgado no dia 25 deste mês, mostra que, em 2018, quatro em cada dez professores não tinham a formação adequada para o que ensinavam no sexto e também no nono ano do fundamental. Segundo o levantamento, quase 38% dos docentes do fundamental não fizeram o curso de licenciatura ou a complementação pedagógica necessária para ensinar uma disciplina específica. No ensino médio, o índice chegou perto dos 30%. Quem reuniu e analisou os dados destaca ainda a falta de condições de trabalho para os professores nas escolas públicas e os baixos salários. Fatores que explicam o abandono da profissão de professor e a falta de atrativos para que os estudantes com as melhores notas se dediquem à missão de ensinar. Nesse sentido, é preciso bem esclarecer que, se o aluno do Ensino Básico não tiver a adequada preparação, então é óbvio que o aluno do Ensino Superior também não terá a devida formação. Simplesmente acreditar que mecanismos de seleção mais rigorosos para acesso ao Ensino Superior evitaria essa tragédia é ilusório: as IESs necessitam do aluno (bem ou mal formado) para justificarem a sua existência. Esta é a realidade.

      Como disse ao início, não tinha a intenção de propor soluções ou diretrizes para o Ensino Superior do nosso país. Mas creio que estas certamente podem se originar a partir do momento em que melhor reconhecemos os verdadeiros desafios a serem enfrentados.



Carlo Kleber da Silva Rodrigues

carlokleber@gmail.com